Publicado 2025-12-31
Palavras-chave
- Juan José Saer,
- biopolítica,
- animalidade,
- alimentação
Como Citar
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Resumo
As cenas de comida e bebida ocupam um lugar privilegiado na ficção de Juan José Saer desde suas primeiras obras: Responso (1964) capta a euforia efêmera de um alcoólatra ao longo de vários copos de cerveja; El limonero real (1974) propõe questões de luto, memória e isolamento por meio de um churrasco de fim de ano; e El entenado (1983), uma de suas obras mais conhecidas, reimagina a história de um grumete espanhol capturado por um grupo indígena que pratica o canibalismo ritual. Este artigo examina a relação entre a alimentação e a animalidade em Nadie nada nunca (1980), um romance que inclui múltiplas cenas em que os personagens comem em silêncio na presença de animais e experimentam devires inesperados. O tema da alimentação—entendido como um campo de intervenções biopolíticas, como uma problematização dos limites entre o sujeito e o mundo, e finalmente como uma reterritorialização da boca e uma interrupção do discurso—nos permite revisitar a política literária de Saer. Sostenemos que a narrativa saeriana desfamiliariza a alimentação e nos convida a pensá-la em termos infrahumanos, nos interstícios entre o homem e o animal, bíos e zoé, inclusão e exclusão.